Um conto sobre os contrastes do ano (de tantos tons humanos) - Semana #043
Linhas de amplitude
Mas, enquanto não vem o vagalhão, as ondas vão e voltam, vacilam e vagueiam, vacantes e vagarosas, trazendo a ressonância de alterações singulares, tragando assonâncias, aliterações e ressignificações...
(Por que as pendências ainda prenderiam um ponto pendular na ponte, entre as ponderações sempre iguais de um lado e os poréns de pretensões finais do outro?)
Nos ares do mar, nos arcos de brisas e rajadas, elas disparam, pairam e planam como flechas e penas, leves e lentas – nada parece parar as pranchas daqueles que praticam a arte de espairecer e renascer diariamente;
Nas areias da praia, castelos, muralhas e reinos são arquitetados e erguidos com mãos e pás, com baldes e conchas, com pilares da cordialidade – ao brilhar tão solar depois de estar solitário, o sorriso dissolve qualquer dissabor;
Nas áreas dos costões intocáveis, a natureza se acomoda entre poças que são salgadas e rochas que são salpicadas constantemente, a cada nova velha carga de choque, véu e água – a resiliência é adaptação com persistência, teimosia com inteligência, sabedoria com paciência.
"O vento enxerga aventuras quando as linhas da vida são ligadas pela liberdade", um velejador lembrava.
Navegar é sentido...

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