Pensamentos Prensados
quarta-feira, janeiro 11, 2017
Um conto sobre os contrastes do ano (de tantos tons humanos) - Semana #049
Linhas de assombração
Mas por que guardar por perto aqueles objetos antigos que gravam em si somente a história de um filme eternamente incompleto, sem ordem ou fim, como se fossem um castigo sem misericórdia?
Para sentir-se bem e totalmente além do calvário, sem ter passadas e pegadas com o peso de adiamentos ou tolhimentos adiante, é necessário se desapegar e se separar para sempre do que já desapareceu nas paisagens de parques, planícies e paragens distantes.
(Justificativas justapostas, nervos negociáveis)
Irradiam-se os dias longos outra vez, e ouvem-se os diálogos das cigarras em volta: "fiiim-viiindo", "fiiim-viiindo", "fiiim-viiindo"... em resposta, escutamos "sim, sim, sim, estamos indo, indo, indo"...
Estamos indo ao desespero de sempre de dezembro. (Alegria!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Brindes!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Compras!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Dez!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Enfeites!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Festas!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Guloseimas!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Hipocrisia!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Irmandade!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Jingles!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Luzes!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Magia!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Natal!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Otimismo!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Presentes!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Quatro!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Réveillon!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Superstições!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Tradições!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Um!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Votos!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Xis!) Ao desespero de sempre de dezembro. (Zero!) Janeiro já ou jamais? Janeiro já ou jamais? Janeiro já ou jamais? Janeiro já ou jamais? Janeiro já ou jamais? Janeiro já ou jamais?
De tanto se caçar canções, cria-se o risco de apenas ir atrás de ritmos imaginários;
Entretanto, as lembranças resilientes nunca mais entregarão alentos ou bonanças, mas velhas e conhecidas reincidências. (Não há mais o que extrair desta terra arrasada que se chama nostalgia... escape do fantasma! Não volte mais para trás! Acabe com esta afasia fantasia fanatismo fatalismo atavismo antagonismo agonia afonia afogamento afobamento fobia folia! Renove o fôlego desta fogueira, deste fogo que esgueira, fogo que galopa, fogo que golpeia, fogo que afaga e queima chaga por chaga!)
posted by Rodrigo Brüning Schmitt @
5:50 PM
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