Um conto sobre os contrastes do ano (de tantos tons humanos) - Semana #028
Linhas de ausência
Metabolismo, metamorfose, metástase, metade que se vai...
No inverno que inverteu nossas vidas, não havia quem visse ou vislumbrasse como a luz e a paz teriam chances de ultrapassar o luto e o passado; como seriam capazes de chamar e unir os tons de luta e paciência necessários para o presente renascer da maneira que era, bem persistente e com bons presságios?
Na brancura das ruas, ombros e braços se dobravam aos consolos e aos sons dos sinos, mas nada dominava os sinais dessa dor, nada dormia e sonhava em silêncio
– Perplexa pela perda perpétua, a mente se mantém presa aos mínimos e máximos detalhes de ontem, anteontem e tanto tempo abençoado antes, que são remontados hoje a cada riso alheio e homenagem aleatória; isso de abandonar e não tentar mais tocar inúmeros momentos especiais e comuns de um nome único é o mesmo que se decidir pela pena de morte para a própria vida (cindida, sem norte ou perspectiva), é se dispensar como pessoa e personagem, é se distanciar de vez das estações e das percepções (até das mais congeladas e consternadas), é se aceitar como espectro introspectivo e assim estar, interagindo em um estado irreversível de decomposição (ou de compulsão?)...
Nossas vidas vibravam com vozes, com vocês, com você!
O que faz sentido nessas fagulhas que tivemos e temos se isso tudo sempre termina e se acumula em cinzas?
O que há de nós no ar após nossa razão de voar ser rasgada e voltar das asas para o pó?

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