Fugindo do eterno retorno (hai-kai)
O cenário voltou
e aguarda a nova peça
Mudou o elenco?
Protagonista:
observa com cuidado
as primeiras linhas!
Sem abertura...
Não tens mais a anterior
– e nem a desejas mais
– e nem a desejas mais
Os dedos e as mãos tremem;
não encontram as palavras
(talvez não haja)
Mesmo assim, vai!
Retira-te do camarim
e sente a estória!
...linda descrição
de dramas e finais felizes.
Mas por que tremes?
Temes o diretor?
Qual rumo apontará?
O escritor não diz
Vem, chegou a hora!
Sobe ao palco do sucesso:
primeiro ato!
Fala o que sabes
e começarás a entender
que é preciso mais
Tu não encenas...
Burburinhos nos aplausos
que querem cegar
Surge o elenco
com atores e atrizes
tão conhecidos!
Procuras o novo:
rostos que não atuem
e sim que respirem...
Fracasso na busca,
não importa como vês /
Máscaras iguais
Ciclos malditos:
quando tentas rompê-los,
rompem teus sonhos
Escapem, pulmões!
O pó do eterno retorno
está visível
está visível
Sem vida aí,
desiste! Adeus, palco,
platéia, glória!
Os belos roteiros
que agradam o teatro
nunca te servem
Nenhum roteiro
te serve ou servirá
Ser inquieto!
MURALHA DE VAIAS
Existencialismo
tirado de cartaz
tirado de cartaz
O que tu procuras
não acharás na inércia
desses corações
Desesperado,
queres virar tragédia:
começo ou fim?
Enxergas um brilho
distante e tão irreal
...teus olhos ardem...
Talvez lá haja
somente dor e tristeza
(vida de verdade)
Até o sorriso,
terás de andar e cortar os pés
sobre ilusões
Mesmo assim, vai!
A loucura te impele;
o cansaço também
Avisos no portão:
quem não vive se perde
e cai na repetição
E quem se repete
cria o próprio teatro
de uma peça apenas
Ah, heróis não há!
Nem estátuas e ídolos,
deuses tampouco
A única sombra
que enfrentarás aqui
vês todos os dias
A chance é eterna:
contemplas a energia?
Essa luz azul?
Ela te seguirá
sempre que tu quiseres
– como lateja!
– como lateja!
Pele pulsante,
rosto umedecido,
sangue vibrante
Sente teu suor e
seca tuas lágrimas:
a vida vive em ti
a vida vive em ti

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