Pensamentos Prensados

segunda-feira, novembro 20, 2006

Fugindo do eterno retorno (hai-kai)


O cenário voltou
e aguarda a nova peça
Mudou o elenco?

Protagonista:
observa com cuidado
as primeiras linhas!

Sem abertura...
Não tens mais a anterior 
– e nem a desejas mais

Os dedos e as mãos tremem;
não encontram as palavras
(talvez não haja)

Mesmo assim, vai!
Retira-te do camarim
e sente a estória!

...linda descrição
de dramas e finais felizes.
Mas por que tremes?

Temes o diretor?
Qual rumo apontará?
O escritor não diz

Vem, chegou a hora!
Sobe ao palco do sucesso:
primeiro ato!

Fala o que sabes
e começarás a entender
que é preciso mais

Tu não encenas...
Burburinhos nos aplausos
que querem cegar

Surge o elenco
com atores e atrizes
tão conhecidos!

Procuras o novo:
rostos que não atuem
e sim que respirem...

Fracasso na busca,
não importa como vês /
Máscaras iguais

Ciclos malditos:
quando tentas rompê-los,
rompem teus sonhos

Escapem, pulmões!
O pó do eterno retorno
está visível

Sem vida aí,
desiste! Adeus, palco,
platéia, glória!

Os belos roteiros
que agradam o teatro
nunca te servem

Nenhum roteiro
te serve ou servirá
Ser inquieto!

MURALHA DE VAIAS
Existencialismo
tirado de cartaz

O que tu procuras
não acharás na inércia
desses corações

Desesperado,
queres virar tragédia:
começo ou fim?

Enxergas um brilho
distante e tão irreal
...teus olhos ardem...

Talvez lá haja
somente dor e tristeza
(vida de verdade)

Até o sorriso,
terás de andar e cortar os pés
sobre ilusões

Mesmo assim, vai!
A loucura te impele;
o cansaço também

Avisos no portão:
quem não vive se perde
e cai na repetição

E quem se repete
cria o próprio teatro
de uma peça apenas

Ah, heróis não há!
Nem estátuas e ídolos,
deuses tampouco

A única sombra
que enfrentarás aqui
vês todos os dias

A chance é eterna:
contemplas a energia?
Essa luz azul?

Ela te seguirá
sempre que tu quiseres
– como lateja!

Pele pulsante,
rosto umedecido,
sangue vibrante

Sente teu suor e
seca tuas lágrimas:
a vida vive em ti